quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Livros lidos em 2025

 

A cada ano que se acaba, colecionamos as nossas próprias vitórias e fracassos. Quem for realmente honesto, reconhecerá que nem tudo foi desperdício de tempo, nem tampouco dirá que colheu apenas os frutos mais saborosos. Nossas vidas não se restringem ao preto-e-branco dos olhares maniqueístas. Certamente, houve percalços, mas também momentos de imenso prazer, bem como outras tantas memórias que perdemos para sempre na agitação do dia a dia, quando estamos ocupados em chegar na hora marcada, em entregar o trabalho dentro do prazo estipulado, em responder a mensagem urgente que nos chega pelo celular.

Felizmente, não há como lembrar de tudo, de modo que cérebro e mente selecionam — conscientemente ou não — aquilo que permanecerá conosco no decorrer da nossa jornada. Algumas vezes, as memórias guardadas nos fazem bem; outras vezes, elas podem nos adoecer se ficarem tempo demais com a gente. A princípio, tal adoecimento pode vir à tona discretamente, como uma insônia mal resolvida ou uma melancolia sempre à espreita, no entanto, se ele vier a formar raízes profundas, o sujeito adoecido estará semeando para si um futuro ainda mais amargo e doloroso. Pouco a pouco, os sorrisos se tornam escassos, a vivacidade do olhar se esmorece… Dormir acaba sendo algo mais difícil que o normal; banhar-se e sair de casa vira uma missão árdua.

Mas essa história não termina aí. Por vezes, o adoecimento de uma pessoa só pode comprometer a saúde mental de uma família, empresa, coletivo… de tal maneira que o que alimentamos internamente não se restringe somente a nós. Na realidade, com nosso mal-estar individual, aparentemente circunscrito ao nosso ego empoleirado, podemos estar arruinando a vida que compartilhamos com aqueles que mais amamos. Como animais encurralados, somos convencidos a observar o mundo por uma perspectiva estreita e autocentrada, quando, na verdade, precisamos aprender a ampliar o olhar, de modo a conceber novas maneiras de enxergar. Às vezes, é se perdoando que, enfim, aprendemos a perdoar os outros; é olhando para si que, finalmente, aprendemos a olhar para os demais. Ao cuidarmos da nossa saúde mental, estamos cuidando de todos à nossa volta, pois estamos inseridos num cosmo compartilhado. Somos folhas de um mesmo galho, ramos nascidos de uma mesma árvore, árvores germinadas de uma única Terra. Nada está à parte. Quem se vê apartado dos demais, ainda não compreendeu quem, de fato, é.

É uma pena que não nos ensinem isso mais cedo, quando estamos ainda no começo das nossas vidas e podemos evitar os erros mais banais. Para a nossa tragédia pessoal, saber recordar o que, realmente, importa — e descartar aquilo que nos faz apenas mal — é uma arte que, em geral, aprendemos com muitos anos acumulados em nossas costas. Alguns só conseguem aprendê-lo após cumprirem anos de terapia. Ainda hoje, na educação das nossas crianças e adolescentes, priorizamos o aprendizado das ciências convencionais, como se o autocuidado e o autoconhecimento fossem algo secundário e supérfluo, um detalhe a ser tratado a posteriori. Temo que, se isso não mudar o quanto antes, veremos as novas gerações repetirem os mesmos sofrimentos e equívocos das gerações passadas.

Meu esforço em fazer uma lista dos livros que li ao longo do ano, se justifica na necessidade de olhar para trás e ver o caminho percorrido, recordar a jornada que comecei doze meses atrás. Ademais, no que diz respeito ao saldo de leituras concluídas, não posso dizer que fiquei inteiramente satisfeito ou frustrado. Embora tenha lido pouco, sinto que fui mais longe do que esperava. Ler o Fausto de Goethe, ainda que só a Primeira Parte, foi um dos maiores desafios literários que eu já tive na minha vida. Suspeito que, no futuro, terei de voltar a lê-lo.

Por fim, espero concluir, neste ano, a leitura de vinte livros. Assim, conseguirei ultrapassar a marca dos anos anteriores. É verdade que ler não é o mesmo que executar uma prova de atletismo, porém, da minha parte, há que se esforçar em ler mais.

Segue abaixo a lista dos livros lidos por mim em 2025:

1.      Wild Thing, Philip Norman (Liveright Publishing Corporation);

2.      Ressureição, Machado de Assis (Nova Fronteira);

3.      A Mão e a Luva, Machado de Assis (Nova Fronteira);

4.      O que fazer?, Vladimir Lênin (Boitempo);

5.      Niketche, Paulina Chiziane (Companhia de Bolso);

6.      A Ditadura envergonhada, Elio Gaspari (Intrínseca);

7.      Fausto: Primeira Parte, Goethe (Editora 34);

 

 

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