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domingo, 28 de maio de 2023

Se permita

  

Dança, canta e vibra

defronte ao sol da tarde,

encontre o que te invade:

novos ares de Coimbra.

 

Abra teus braços à dura sina

de perder o espírito alhures,

frio lar em que nada moldures,

e que fenece sem que se sinta.

 

Se permita, porém, cantar,

Quando o velho céu se abrir,

Quando o véu, enfim, cair,

Quando Téo por ti se apaixonar.

 

Daniel Viana de Sousa

© Todos os direitos reservados

sábado, 20 de agosto de 2022

Cálice Profano

 


Alheio às velhas luzes distantes,

cujo seráfico vagar eu me aparto,

bebo do cálice de visões delirantes,

santo sumo, profano e catártico.

 

As hostes me banem do espaço

sem poder ferir meu furor radiante,

pois nasci para o fragor famigerado

de ser completo a todo instante.

 

Ferve nisso o Maligno inebriante,

cujo prazer é permanente fardo.

São vermes vorazes de amante

possuídas sem me deixarem farto.

 

Trago, assim, a rijeza do diamante

e a rebeldia de quem é incauto,

e abrir espaço no mar fustigante

para fazer emergir meu último ato.

 

Não fui estimado pelo celebrante

do ritual com o qual não comparto.

Pois, sou proscrito sem atenuante,

vadio apócrifo desde o próprio parto.

 

 

 

Daniel Viana de Sousa

© Todos os direitos reservados

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Coração errante

 

Tudo que o tempo esgarça

cativa meu coração errante:

a velhice consumida pela traça

a santa loucura dum mero instante.

 

Sou homem que detesta a farsa,

mas que venera um furor arrogante:

o selvagem que luta pela taça

e o amor embevecido da puta amante.

 

Sempre me livre da maldita desgraça

de viver sem um apelo vibrante,

morrendo como uma vil ameaça

ao prazer duma paixão extravagante.

 

Me conceda uma felicidade esparsa,

semeada em cada lugarejo distante,

pontilhada numa folha que realça

minha busca por um gozo delirante.

 

Daniel Viana

© Todos os direitos reservados

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Corações

 

Ah, meu coração arde por ti,

sempre alegre e apaixonado,

desde o princípio em que te vi,

tempo de desejo desenfreado.

 

Esse coração é parte de ti,

caríssimo amor ansiado,

Não importa se estou aqui ou ali:

sempre estarei feliz ao teu lado.

 

Peço o teu coração para mim.

Não por merecimento desbragado,

mas por anelo que arde sem fim,

princípio de um ego desamparado.

 

Meu coração te chama assim:

“É preciso se amar por completo,

superando a marca de Caim.

Pecar é só deixar que a verve

vá embora sem deixar um sim”.


Daniel Viana

© Todos os direitos reservados

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Ana Lídia

 

Minha tia é mulher

Que luta pela vida,

Que sabe bem o que quer,

Que não se dá por vencida.

 

Tenho orgulho dessa mulher

Que merece por todos ser recebida,

Que é companheira de fé,

É verdadeira sem medo de ser traída.

 

Ana Lídia é mulher

Que precisa ser reconhecida.

Ela encara o que vier!

Ela merece ser aplaudida!

 

Daniel Viana

© Todos os direitos reservados

Demasiadamente humano

 

Mi amor, Victória…

 

Tus ojos son la luz de mi vida;

Tu pelo es el manto que me calienta en el frio;

Tus hombros me sostienen en la debilidad;

Tu boca es la sagrada fuente de mi placer.

 

¡Perdona mis miserias!

¡Perdona mis errores!

Y vuelve a aceptarme en tu corazón.

Yo soy demasiadamente humano.

 

Daniel Viana

© Todos os direitos reservados